Ainda me lembro de quando li pela primeira vez um livro de Sherlock Holmes. Imaginando o improvável. Como podia um homem ser tão inteligente a ponto de descobrir sem muitas dificuldades cada cena, cada passo de uma cena de crime ou mistério.
O Batman é sim o melhor detetive do mundo, mas somente do Universo DC. Acho que as capacidades dedutivas dele, jamais se equipariam as de Sherlock Holmes, o maior e mais detestável detetive ja criado.
Arthur Conan Doyle foi criterioso em sua criação, o fazendo inteligente e destestável, ao mesmo tempo. Não temos aqui um Dr. House, que é 100% do tempo sacástico, e de propósito, é claramente explicito que Sherlock Holmes não sabe conviver com as pessoas, e se sente tão bem no seu misantropismo que não se dá ao trabalho de aprender como faze-lo.
A misantropia e a falta de emoção, visiveis, faz com que somente um admirador se aproxime, a ponto de esse acabar sendo seu melhor e mais fiel amigo.
Vemos nessa relação de companheirismo uma imagem que se repete até hj nas páginas do Cavaleiro das Trevas.
Alfred Pennyworth a caricatura de John H. Watson. Alfred, um mordomo da familia, o único que suporta o gelo e a falta de humanidade em Bruce Wayne, quando esse se torna o vigilante de Gotham. O amigo que cura as feridas e ajuda a resolver os mistérios que os tantos inimigos espalham no caminho de Batman.
Watson, o soldado, um medico, que se queixa da inanição do amigo quanto a beleza do mundo, mas que cura as feridas, e que se fascina a cada mistério resolvido e celebra como uma criança quando avista um coelho atras de uma moita.
Ambos tem em comum, o companheismo. Mesmo nas situações mais dificies de se enfrentar, estão perto, e suportam o humor de pedra dos que se disponibilizaram a ser amigos.
Ainda sim, Batman peca em muitas coisas nas quais Sherlock ainda é mestre. Porque apesar de ser tão intragavel e não tão galeanteador como o Morcego, Sherlock sempre vence no final. Tudo é mistério aos olhos de Watson, mas dos olhos do melhor detetive do mundo nada escapa.
Seu maior inimigo, Moriarty, não passa de uma piada. Ele pode matar e pode muito bem ignorar a sua existencia, ao contrario do Coringa, das páginas dos quadrinhos, que é tão importante e tão vivo quanto o protagonista.
Sei que Doyle foi obrigado a matar o personagem, mas mesmo assim, foi uma morte digna de encerrar a carreira: quando já estava velho, mesmo ainda disposto de seus dotes de detetive.
Mas todo homem velho e cansado, mesmo que seja o melhor do mundo no que faz, merece um descanso. Nada melhor que todas as suas histórias e memorias como maior recompensa para seus fãs, mesmo que esses o odiassem, e para seu melhor amigo.
Espero sinceramente que o fim de Batman seja tão bom quanto o de Sherlock Holmes, até porque Batman RIP não tem me animado. Se depender das histórias cheias de ácido de Grant Morrison, ele será mais um fracasso do que um dos melhores e mais aclamados dos detetives já existentes.
Janela de transferências... o TERROR
3 meses atrás


